Realizava-se no momento uma conferência, e a pessoa que ele procurava estava lá dentro, sentada ao lado do conferencista.Sugeri-lhe que se aproveitasse do pasmo das alunas ao ouvir o homem exclamar, dedo em riste: "São Tomás de Aquino chegou a ser excomungado !"e entrasse na sala para transmitir o seu recado. Acabei deixando-o indeciso junto à porta e fui para o pátio.
Dois meninos, sujos e descalços,jogavam bolinha de gude: um mais alto , com um sorriso a que faltavam dois dente, e outro pequenino e mirrado, cabeça raspada e olhos postos na bola, numa obstinação de quem há de ganhar ao menos uma partida. Otto, já livre de sua incumbência, se aproximou e ficamos a observar o jogo. Notamos desde logo a superioridade do jogador mais velho, de técnica apurada, maior precisão nos lances iniciais, grandes senso de oportunidade nas cricadas e muita prudência no evitar as armadilhas do papão ao se aproximar da birosca. Em dado momento uma pergunta nossa sobre a variante técnica de palmo e meio em vez de um palmo, usada pelo menorzinho,atraiu para nós a atenção dos contendores.
-Dou de lambujem - explicou o mais velho.
-Ele está perdendo e disse que eu levo vantagem porque a mão dele é miudinha. Então eu dou pra ele mãe e meia, mas só no batizado. Nem assim ele ganha.
Botou a patinha na terra, marcou meticulosamente distância e cricou outro; depois mudou de ângulo por causa de um tufo de grama, papou a primeira birosca, tornou a cricar. Papou a segunda, de uma jogada direta foi espetacularmente à terceira e, já papão, deu como desprezo chance ao outro de se aproximas. O outro caiu na armadilha: em vez de tentar o batizado diretamente, quis tecar, e acabou morrendo uma vez, morrendo a segunda, para, vítima de cricadas magistral, morrer definitivamente nas garras do adversário. Sem ser batizado.
-Querem uma dupla? - convidou-nos o vencedor, irônico, com ostensiva superioridade a tripudiar sobre a derrota do outro, que nos olhava aparvalhado. Aquilo feriu nosso brios. Aceitamos, mas sob condições: só seria permitido o galeio de recuo, quem morresse na birosca seria eliminado, não concedíamos mão e meia nem antes nem depois do batizado. Eles concordaram, depois de breve confabulação, e o maior falou para o menor:
-Dá as riscadinhas para ele,Zé.
Zé meteu a mão no bolsinho da calça e tirou um punhado de bolsas, de mistura como um canivetinho enferrujado,uma bala de chocolate já meio derretida e um toco de lápis vermelho. Separou cuidadosamente as riscadinhas e nos entregou.
Foi dada a saída e desde logo se evidenciou a superioridade deles.inclusive o pequenino,que tacitamente havíamos considerado já no papo,ao aceitar o desafio.Otto foi infeliz,na saída,por causa de uma pedrinha que desviou o curso da bola e quase morreu na segunda birosca,praticamente antes de começar.O que seria a suprema das vergonhas.Mas uma infelicidade de seu adversário,perdendo o batizado por estupidez que ele mesmo se encarregou de amaldiçoar com um palavrão,equilibrou o jogo,mandando-me para a birosca inesperadamente,em abençoada carambola.
Foi a vez do pequenino que,ainda pagão,deu de passagem uma fabulosa cricada no meu parceiro,atirando-lhe a bola á distância.E ainda foi a birosca.Soltei uma exclamação de entusiasmo,mas meu amigo protestou:
-Não vale!Ele ainda era pagão!Não vale tecar sem cair antes na birosca.
Ao que o menino mais velho redarguiu alegando,com perdão da palavra,que não valia cagar regra.
-Não fala bobagem não,menino.A regra é essa mesmo.
Descobrimos então,para nosso pasmo,que eles chamavam a birosca de "búlica" ou "búrica"-ou outro nome assim de nobre origem etimológica,influência talvez da proximidade da Faculdade de Filosofia.A palavra birosca lhes despertava mesmo sorrisos maliciosos,dando-nos a certeza de que se tratava de pornografia nova,escapada ao nosso vocabulário infantil.Havia ainda outras variantes na terminologia deles,que já não era a mesma de nosso tempo:assim,a "cricada" era para nós apenas a tecada final,que assegurava a vitória,e não todas elas,como eles vinham usando.(Entretanto,agora verifico no dicionário que nós é que usávamos o termo lídimo: "tecar" ele registra e "cricar" não registro.)
-Então começa de novo.
Recomeçou o jogo.Agora,depois do incidente,era a nossa honra que jogávamos.De repente vi meu a,igo se transfigurar como se a própria infância nascesse dos olhos cansados,dando-lhe jogadas magistrais.Em pouco tempo um dos adversários (o pequenino) liquidou-me,depois de armar-me cilada,o safadinho,fingindo errar a pontaria duas vezes,e morri pagão.Mas meu parceiro,papão de primeira,matou-o a mais de quatro metros,numa esplêndida jogada de galeio(com recuo).Não podia conter seu entusiasmo:
-Sabe?Eu ainda sou dos bons!
Por pouco não põe tudo a perder,numa jogada imprudente que o deixou perto do outro.Agora se perseguiam ao longo do jardim e o outro,já nervoso,errou e tornou a errar.Então Otto liquidou-o sem dó nem piedade numa cricada definitiva,que significava mais uma bola conquistada para a coleção.Ergueu-se e se tornando adulto com um pigarro,sacudiu a poeira das mãos.Os meninos o olhavam,admirados;devolveu-lhes as bolas,num belo esto de desprendimento,não queria ficar com elas.E puxou-me pelo braço,modestamente:
-Vamos,não é?Está ficando um pouco tarde.
Perdêramos naquilo toda a manhã e os compromissos atrasados se acumulavam.Fiz-lhe ver minha apreensão,enquanto saíamos apressadamente,mas ele me assegurou que não tinha importância,o dia estava ganho,nossa vitória tinha sido insofismável.
(fonte:A vitória da infância)
(O HOMEM NU)
SÍNTESE DO GRUPO:
O grupo achou melhor fazer um mini resumo do texto para mostra oque nos intendemos :
Dois meninos foram na Faculdade dar um recado, mas o conferencista estava ocupado, na vez dele continuar tentando falar com ele , não ele foi embora, mais quando ele tava indo embora parou pra ficar olhando dois meninos jogando bolinha de gude, e esqueceram de ir resolver seus compromissos....
BIOGRAFICA:
Fernando Tavares Sabino,
filho do procurador de partes e representante comercial Domingos Sabino, e de
D. Odete Tavares Sabino, nasceu a 12 de outubro de 1923, Dia da Criança, em
Belo Horizonte.
Em 1930, após aprender a ler com a mãe, ingressa no
curso primário do Grupo Escolar Afonso Pena, tendo como colega Hélio
Pellegrino, que já era seu amigo dos tempos do Jardim da Infância. Torna-se
leitor compulsivo, de tal forma que mais de uma vez chega em casa com um galo
na testa, por haver dado com a cabeça num poste ao caminhar de livro aberto
diante dos olhos. Desde cedo revela sua inclinação para a música, ouvindo
atentamente sua irmã e o pai ao piano.
Em 1934, entra para o escotismo, onde permanece até os
14 anos. Disse ele em sua crônica "Uma vez escoteiro":
"Levei seis anos de minha infância com um lenço enrolado no pescoço, flor-de-lis na lapela e pureza no coração, para descobrir que não passava de um candidato à solidão. Alguma coisa ficou, é verdade: a certeza de que posso a qualquer momento arrumar a minha mochila, encher de água o meu cantil e partir. Afinal de contas aprendi mesmo a seguir uma trilha, a estar sempre alerta, a ser sozinho, fui escoteiro — e uma vez escoteiro, sempre escoteiro".
"Levei seis anos de minha infância com um lenço enrolado no pescoço, flor-de-lis na lapela e pureza no coração, para descobrir que não passava de um candidato à solidão. Alguma coisa ficou, é verdade: a certeza de que posso a qualquer momento arrumar a minha mochila, encher de água o meu cantil e partir. Afinal de contas aprendi mesmo a seguir uma trilha, a estar sempre alerta, a ser sozinho, fui escoteiro — e uma vez escoteiro, sempre escoteiro".
Com 12 anos incompletos, em 1935, torna-se locutor do
programa infantil "Gurilândia" da Rádio Guarani de Belo
Horizonte. Freqüenta o Curso de Admissão de D. Benvinda de Carvalho
Azevedo, no qual adquire conhecimentos de gramática que lhe serão muito úteis
no futuro em sua profissão.
Ingressa no curso secundário do Ginásio Mineiro, onde
demonstra grande interesse pelo estudo de Português. Suas primeiras
tentativas literárias sofrem influências dos livros de aventuras que vive
lendo, principalmente Winnetou,
de Karl May, e dos romances policiais de Edgar Wallace, Sax Rohmer e Conan
Doyle, entre outros. Nessa época, por iniciativa do irmão Gerson, tem seu
primeiro conto policial estampado na revista "Argus",
órgão da Secretaria de Segurança de Minas Gerais. Passada a primeira emoção vem
o desapontamento: o nome do autor, na revista, consta como sendo Fernando
Tavares "Sobrinho".
Em 1938, ajuda a fundar um jornalzinho chamado "A
Inúbia" (mesmo sem saber exatamente o que isso vem significar) no
Ginásio Mineiro. Ao final do curso, embora desatento, "levado" e
irrequieto, conquista a medalha de ouro como o primeiro aluno da turma. Começa
a colaborar regularmente com artigos, crônicas e contos nas revistas "Alterosas"
e "Belo Horizonte". Participa de concursos de crônicas sobre
rádio e de contos, obtendo seguidos prêmios.
Nadador, em 1939, bate vários recordes em sua
especialidade: o nado de costas. Compete e ganha inúmeras medalhas em
campeonatos nas cidades de Uberlândia, São Paulo e Rio de Janeiro. Participa da
Maratona Nacional de Português e Gramática Histórica, empatando com Hélio
Pellegrino no segundo lugar em Minas Gerais e em todo o Brasil. Viajam
juntos ao Rio para receber em sessão solene o prêmio das mãos do mineiro
Gustavo Capanema, então Ministro da Educação.
Aprende taquigrafia, em 1940, para escrever mais
depressa. Começa a ler, com grande obstinação, os clássicos portugueses a
partir dos quinhentistas Gil Vicente e João de Barros, entre outros, até os
romancistas como Alexandre Herculano, Almeida Garrett e Camilo Castelo
Branco. Antes de chegar a Eça de Queiroz e a Machado de Assis, aos 17
anos, está decidido a ser gramático. Escreve um artigo de crítica sobre o
dicionário de Laudelino Freire, que tem o orgulho de ver estampado no jornal de
letras "Mensagem", graças ao diretor Guilhermino César,
escritor mineiro que se torna amigo de Fernando
Sabino e seu grande
incentivador. João Etienne Filho, secretário de "O Diário",
órgão católico, é outro a estimulá-lo no início de sua carreira. Nele
publica artigos literários, juntamente com Otto Lara Resende, Paulo Mendes
Campos e Hélio Pellegrino, formando com eles um grupo de amigos para sempre.
No período de 1941 a 1944 presta serviço militar na
Arma de Cavalaria do CPOR. Inicia o curso superior na Faculdade de
Direito. Convive com escritores e, por indicação de seu amigo Murilo
Rubião, ingressa no jornalismo como redator da "Folha de Minas". Orientado
por Marques Rebelo, reúne seus primeiros contos no livro "Os Grilos não
Cantam Mais", publicado no Rio de Janeiro à sua própria
custa. Bem recebido pela crítica, lhe vale principalmente pela carta
recebida de Mário de Andrade, a partir da qual inicia com ele uma
correspondência das mais preciosas para a sua carreira de escritor. (veja emLições do Mestre).
Colabora no jornal literário do Rio "Dom Casmurro", revista
"Vamos Ler" e "Anuário Brasileiro de Literatura".
Em 1942, é admitido como funcionário da Secretaria de
Finanças de Minas Gerais e dá aulas, nas horas vagas, de Português no Instituto
Padre Machado. Conhece pessoalmente o poeta Carlos Drummond de Andrade, dele se
tornando amigo através de correspondência e, mais tarde, no Rio, de
convivência.
No ano seguinte é nomeado oficial de gabinete do
secretário de Agricultura. Faz estágio de três meses como aspirante no Quartel
de Cavalaria de Juiz de Fora, período que serviria de inspiração para
hilariantes episódios no livro "O Grande Mentecapto". Inicia
uma colaboração regular para o jornal "Correio da Manhã", do
Rio e conhece seu futuro amigo Vinicius de Moraes. Prepara sua mudança para o
Rio de Janeiro. Publica o ensaio "Eça de Queiroz em face do
cristianismo" na revista "Clima", de São Paulo (SP).
Integra, em 1944, a equipe mineira na Olimpíada
Universitária de São Paulo, como pretexto para conhecer pessoalmente Mário de
Andrade. Lêem, em voz alta, os originais da novela "A Marca",
que é publicada em seguida pela José
Olympio Editora. Muda-se para
o Rio, assumindo o cargo de Oficial do Registro de Interdições e tutelas da
Justiça do Distrito Federal. Convive com Rubem Braga, Vinicius de Moraes,
Carlos Lacerda, Di Cavalcanti, Moacyr Werneck de Castro, Manuel Bandeira e
Augusto Frederico Schmidt, entre outros.
Participa da delegação mineira no Congresso Brasileiro
de Escritores em São Paulo, no ano de 1945, onde, durante a sessão plenária de
encerramento, em desafio à polícia ali presente, sugere ao publico que seja
lida a Moção de Princípios proclamada pelo Congresso, exigindo do ditador
Getúlio Vargas a abolição da censura e a restauração do regime democrático no
Brasil, com convocação de eleições diretas. Conhece Clarice Lispector, dando
início a uma intensa amizade.
No ano seguinte forma-se em Direito e licencia-se do cargo que exerce na Justiça, embarcando com Vinícius de Moraes para os Estados Unidos. Passa a residir em Nova York, trabalhando no Escritório Comercial do Brasil e, posteriormente, no Consulado Brasileiro. Começa a escrever o romance "O Grande Mentecapto", que só viria retomar 33 anos depois. Colabora com o jornal "Diário de Notícias", do Rio.
No ano seguinte forma-se em Direito e licencia-se do cargo que exerce na Justiça, embarcando com Vinícius de Moraes para os Estados Unidos. Passa a residir em Nova York, trabalhando no Escritório Comercial do Brasil e, posteriormente, no Consulado Brasileiro. Começa a escrever o romance "O Grande Mentecapto", que só viria retomar 33 anos depois. Colabora com o jornal "Diário de Notícias", do Rio.
Em 1947, envia crônicas de Nova York para serem
publicadas aos domingos nos jornais "Diário Carioca" e "O
Jornal", do Rio, que são transcritas por diversos jornais do resto do
país. Começa a escrever "Ponto de Partida" (romance), e
outro, "Movimentos Simulados", os quais não chega a concluir
mas que serão aproveitados em "Encontro Marcado". Realiza uma
série de entrevistas com Salvador Dali e faz reportagem sobre Lazar Segal.
Volta ao Brasil em 1948, a bordo de um navio cargueiro
que se incendeia em meio a uma tempestade, a caminho de Bermudas. No Rio,
é transferido para o cargo de escrivão da Vara de Órfãos e Sucessões. Crônica
semanal no Suplemento Literário de "O Jornal".
Em 1949, escreve crônicas e artigos para diversos
jornais brasileiros. Em 1950, reúne várias delas sobre sua experiência
americana no livro "A Cidade Vazia".
Publicação em tiragem limitada do livro "A
Vida Real", em 1952, composto de novelas sob a inspiração de "emoções
vividas durante o sono". Escreve, sob o pseudônimo de Pedro Garcia de
Toledo, diariamente, "O Destino de Cada Um", nota policial no
jornal "Diário Carioca". Escreve crônicas com o título
geral "Aventuras do Cotidiano", no "Comício",
"semanário independente" fundado e dirigido por Joel Silveira, Rafael
Correia de Oliveira e Rubem Braga. Colaboração com a revista "Manchete"
a partir do primeiro número, que se prolongará por 15 anos, a princípio sob o
título "Damas e Cavalheiros", posteriormente "Sala de
Espera" e "Aventuras do Cotidiano".
Em 1954 faz campanha política no Recife e em
Fortaleza, a convite de Carlos Lacerda. Lança tradução do dicionário de
Gustave Falubert. Viaja pelo sul do Brasil em companhia de Millôr
Fernandes. Em companhia de Otto Lara Resende, então diretor da "Manchete",
antecipa em entrevista pessoal e exclusiva o lançamento da candidatura do
General Juarez Távora à Presidência da República.
Juscelino Kubitscheck, governador de Minas Gerais,
também candidato à Presidência, o convida para jantar no Palácio Mangabeiras,
em 1955. Decepcionado com a conversa, assume no "Diário Carioca"
a cobertura da agitada campanha de Juarez Távora. Viaja por todo o país —
mais de 150 cidades — em companhia do mineiro Milton Campos, candidato a vice.
Em 1956, publica o romance "O Encontro Marcado",
um grande sucesso de crítica e de público, com uma média de duas edições anuais
no Brasil e várias no exterior, além de adaptações teatrais no Rio e em São
Paulo.
É exonerado, a pedido, em 1957, do cargo de escrivão,
passando a viver exclusivamente de sua produção intelectual como escritor e
jornalista. Passa a escrever crônica diária para o "Jornal do
Brasil" e mensal para a revista "Senhor".
O relato da viagem à Europa, feita pela primeira vez
por Fernando Sabino em 1959 está no livro "De
Cabeça para Baixo". Comparece ao lançamento de "O
Encontro Marcado" em Lisboa, Portugal. Visita vários países,
remetendo crônicas diárias para o "Jornal do Brasil", semanais
para "Manchete" e mensais para a revista "Senhor",
perfazendo um total de 96 crônicas em 90 dias de viagem.
Até o ano de 1964, depois de sua volta ao Rio,
dedica-se à produção de dezenas de roteiros e textos de filmes documentários
para diversas empresas.
Em 1960 faz viagem a Cuba, como correspondente do
"Jornal do Brasil", na comitiva de Jânio Quadros, eleito
Presidente da República e ainda não empossado. Faz reportagem sobre a
revolução cubana, "A Revolução dos Jovens Iluminados",
constante do livro com que inaugura a Editora do Autor, fundada por ele em
sociedade com Rubem Braga e Walter Acosta, ocasião em que também são lançados
"Furacão sobre Cuba", de Jean-Paul Sartre (presente ao
acontecimento com sua mulher Simone de Beauvoir); "Ai de ti, Copacabana",
de Rubem Braga; "O Cego de Ipanema", de Paulo Mendes Campos e
"Antologia Poética", de Manuel Bandeira. Fernando Sabino lança o livro "O Homem Nu"
pela nova editora.
Em 1962 publica "A Mulher do Vizinho",
que recebe o Prêmio Cinaglia do Pen Club do Brasil. Seu livro "O
Encontro Marcado" é publicado na Alemanha. Escreve o argumento,
roteiro e diálogos do filme dirigido por Roberto Santos "O Homem Nu",
tendo Paulo José no papel principal. Posteriormente, a história é novamente
filmada, com o ator Cláudio Marzo no papel principal.
No programa "Quadrante", da Rádio Ministério
da Educação, em 1963, Paulo Autran lia crônicas semanais de Sabino e de Carlos Drummond de Andrade,
Manuel Bandeira, Dinah Silveira de Queiroz, Cecília Meireles, Paulo Mendes
Campos e Rubem Braga. Uma seleção dessas crônicas foi publicada pela
Editora do Autor em dois volumes:"Quadrante 1" e "Quadrante
2". Como os demais colaboradores de órgãos oficiais, é
automaticamente efetivado no cargo de redator do Serviço Público, da Biblioteca
Nacional e mais tarde da Agência Nacional, cabendo-lhe a elaboração de textos
para filmes de curta metragem. Seu livro "O Encontro Marcado"
é editado na Espanha e na Holanda.
É contratado, em 1964, durante o governo João Goulart,
para exercer as funções de Adido Cultural junto à Embaixada do Brasil em
Londres. Continua mandando seus relatos para o "Jornal do Brasil",
"Manchete" e revista "Cláudia". Faz a leitura
semanal de uma crônica na BBC de Londres em programa especial para o Brasil.
Em 1965 fica a seu encargo de compor a delegação
britânica que participará no Festival Internacional de Cinema no Rio de
Janeiro. Comparecem os diretores Alexander Mackendrick, Fritz Lang e Roman
Polanski. Representa o Brasil no Festival Internacional de Cinema, em
Edimburgo, na Escócia, e no Congresso Internacional de Literatura do Pen club
em Bled, na Iugoslávia, onde reencontra Pablo Neruda.
Faz a cobertura, em 1966, da Copa do Mundo de Futebol
para o "Jornal do Brasil". Desfaz a sociedade na Editora do
Autor e, com Rubem Braga, funda a Editora Sabiá.
A Sabiá inicia sua carreira de grande sucesso, em
1967, lançando — além dos de seus proprietários — livros de Vinicius de Moraes,
Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Carlos Drummond de Andrade, Manuel
Bandeira, Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Dante
Milano, Rachel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto, Autran Dourado, Dalton
Trevisan, Clarice Lispector, Murilo Mendes, Stanislaw Ponte Preta — e a série
"Antologia Poética" dos maiores poetas contemporâneos, não só
brasileiros como, também, dos sul-americanos Pablo Neruda e Jorge Luiz
Borges. Edita romances de grande sucesso internacional como "Boquinhas
Pintadas", de Manuel Puig, "O Belo Antônio", de
Vitaliano Brancati, "A Casa Verde", de Mario Vargas Llosa, e
toda a obra do Prêmio Nobel Gabriel García Márquez, a partir do famoso "Cem
Anos de Solidão". Seu livro "O Encontro Marcado"
é lançado na Inglaterra. Publica o artigo "Minas e as Cidades do Ouro"
pela revista "Quatro Rodas".
No anos seguinte "O Encontro Marcado"
é lançado na Inglaterra em pocket-book. No
dia 13 de dezembro a Editora Sabiá programou uma festa no Museu de Arte
Moderna, no Rio, com o lançamento de vários livros, entre os quais: "Revolução
dentro da Paz", de Dom Hélder Câmara; "Roda Viva", de
Chico Buarque de Holanda; "O Cristo do Povo", de Márcio
Moreira Alves e, fechando com chave de ouro, "Nossa luta em Sierra
Maestra", de Che Guevara. Nesse dia é editado o Ato Institucional
que oficializa a ditadura militar e, como não poderia deixar de ser, a festa
não se realiza.
Sabino segue para Lisboa,
Roma, Paris, Berlim, Londres e Nova York, em 1969, como enviado especial do
"Jornal do Brasil", para uma série de reportagens sobre "O
que está acontecendo nas maiores cidades do mundo ocidental". Publica,
pela Sabiá, um livro de literatura infantil: "Evangelho das Crianças",
escrito com a colaboração de Marco Aurélio Matos.
A convite do governo alemão, em 1971, volta à
Europa. Realiza reportagem sob o título "Ballet de Márcia Haydée
em Stutgart" para a revista "Manchete". De volta ao
Brasil realiza um super-8 curta-metragem sobre Rubem Braga, "O Dia de
Braga", exibido pela TV Globo e que lhe servirá de modelo para os
futuros documentários em 35 mm sobre escritores brasileiros.
Em 1972, vende a Sabiá para a José Olympio. Viaja para
Los Angeles, onde produz e dirige com David Neves, para a TV Globo, uma série
de oito mini-documentários sobre Hollywood, "Crônicas ao Vivo". Entrevista
Alfred Hitchcock e Broderick Crawford. Escreve três reportagens para a
"Realidade".
Com David Neves, no ano seguinte, funda a Bem-Te-Vi
Filmes Ltda. Filma "A Ponte da Amizade", documentário
rodado em Assunção - Paraguai, para o Departamento Comercial do Itamaraty,
registrando a participação do Brasil na Feira Internacional de Indústria e
Comércio. Realiza uma série de documentários cinematográficos "Literatura
Nacional Contemporânea", sobre dez escritores brasileiros: Érico
Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, João Cabral de Melo
Neto, Manuel Bandeira, Jorge Amado, João Guimarães Rosa, Pedro Nava, José
Américo de Almeida e Afonso Arinos de Melo Franco.
Em 1974, viaja a Buenos Aires, de onde escreve
crônicas para o "Jornal do Brasil". Em 1975, vai ao
Oriente Médio, com David Neves e Mair Tavares, onde produz e dirige o filme
"Num Mercado Persa", documentário sobre a participação do
Brasil na Feira Internacional de Indústria e Comércio, em Teerã. Publica
"Gente I" e "Gente II", com crônicas,
reminiscências e entrevistas de personalidades de destaques nas letras, nas
artes, na música e no esporte.
1976, entre viagens a Buenos Aires, cidade do México,
Los Angeles, marca o lançamento do livro "Deixa o Alfredo Falar!".
Participa da Feira do Livro de Buenos Aires. Após 16 anos de colaboração,
deixa o "Jornal do Brasil".
Inicia, em 1977, a publicação de crônica semanal sob o
título de "Dito e Feito" no jornal "O Globo". Sua
colaboração se prolongará por 12 anos sem qualquer interrupção e era
reproduzida no "Diário de Lisboa" e em oitenta jornais no
Brasil. Viagem a Manaus, da qual resulta no livro "Encontro das
Águas". Com Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e
Rubem Braga, integra a série "Para Gostar de Ler".
Vai à Argélia, em 1978, realizar filme sobre Argel e a
participação brasileira na Feira Internacional de Indústria e Comércio,
intitulado "Sob Duas
Bandeiras". Como em todas as viagens que realiza ao exterior, envia
crônicas para o jornal "O Globo".
Em 1979, retoma e acaba em dezoito dias de trabalho
ininterrupto o romance "O Grande Mentecapto", que havia
iniciado há 33 anos, um sucesso literário. O livro servirá de argumento
para o filme com o mesmo nome, dirigido por Oswaldo Caldeira e com Diogo Vilela
no papel principal. É adaptado para o teatro em Minas e São Paulo.
Publica "A Falta Que Ela Me Faz". Recebe
o Prêmio Jabuti pelo romance "O Grande Mentecapto". Filma
a participação do Brasil na Feira Internacional de Indústria e Comércio em
Hannover, em 1980.
Recebe o Prêmio Golfinho de Ouro na categoria de
Literatura, concedido pelos Conselhos Estaduais de Educação e Cultura do Rio de
Janeiro. Realiza viagens ao Peru e aos Estados Unidos, e dois
documentários em vídeo sobre a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, em 1981.
Em 1982, lança o romance "O Menino no Espelho",
ilustrado por Carlos Scliar, que passa a ser adotado em inúmeros colégios do
país. Percorre várias cidades brasileiras, participando do projeto Encontro
Marcado, ciclo de palestras de escritores nas universidades provido pela IBM.
Lança o livro "O Gato Sou Eu", em
1983.
Publica os livros "Macacos Me Mordam",
conto em edição infantil, com ilustrações de Apon e "A Vitória da
Infância", seleção de contos e crônicas sobre crianças, em 1984. Seu
livro "O Grande Mentecapto" é lançado em Lisboa.
"A Faca de Dois Gumes" é seu novo
livro, em 1985. Uma das novelas é adaptada para o cinema, com o mesmo
título, dirigida por Murilo Sales. Escreve uma peça teatral, baseada em
"Martini Seco", encenada no Rio de Janeiro. É condecorado com
a Ordem do Rio Branco no grau de Grã-Cruz pelo governo brasileiro. Publica, no "New York Times", o artigo "The
Gold Cities of Minas Gerais".
Em 1986, realiza inúmeras viagens: Londres, Tókio,
Hong-Kong, Macau e Singapura. Escreve "Belo Horizonte de todos os
tempos" para o Banco Francês-Brasileiro.
Publica "O Pintor que Pintou o Sete",
história infantil, a novela "Martini Seco" em edição
para-didática, e três seleções: "As Melhores Histórias",
"As Melhores Crônicas" e "Os Melhores Contos",
em 1987.
É lançado "O Tabuleiro das Damas", um
esboço de autobiografia, em 1988. Escreve suas últimas crônicas para "O
Globo", do qual se despede no final do ano.
Em 1989 o filme "O Grande Mentecapto"
é premiado no Festival Internacional de Gramado. Novas viagens pelo mundo
e o lançamento do livro "De Cabeça Para Baixo", reportagens
literárias e jornalísticas sobre as suas viagens pelo mundo de 1959 a 1986.
No ano seguinte esse filme é exibido no Festival
Internacional de Cinema em Washington D.C., e recebe um prêmio. Lança o
livro "A Volta Por Cima".
Em 1991, lança o livro "Zélia, Uma Paixão",
biografia autorizada de Zélia Cardoso de Mello, Ministra da Fazenda no governo
Collor, com tratamento literário. Os escândalos em sua vida privada e sua
saída do governo foram motivo de grande repercussão entre os brasileiros,
criando clima hostil ao escritor. Por ironia do destino, nesse mesmo ano sua
novela "O Bom Ladrão", do livro "A Faca de Dois Gumes",
é lançada em edição extra como brinde ao dicionário de Celso Luft, com tiragem
recorde de 500.000 exemplares.
Viaja ao Chile, em 1992, para preparar a edição de
"Zélia, Uma Paixão" em castelhano. Edição paradidática de
" O Bom Ladrão".
Lança, em 1993, "Aqui Estamos Todos Nus",
uma trilogia de novelas "de ação, fuga e suspense".
No ano seguinte lança o livro "Com a Graça de
Deus", "uma leitura fiel do Evangelho inspirada no humor de
Jesus".
Em 1995, a Editora Ática relança a seleção, revista e
aumentada, de "A Vitória da Infância", com a qual Fernando Sabino reafirma sua determinação ao longo da
vida inteira de preservar a criança dentro de si. Ou, como ele mesmo
escreveu: "Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você
quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu
diria que quero ser menino".
O autor faleceu dia 11 de outubro de 2004 na cidade do Rio de Janeiro. A seu pedido, seu epitáfio é o seguinte: "Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino".
Em 2006, é lançada a 82ª edição de "O encontro marcado".
O autor faleceu dia 11 de outubro de 2004 na cidade do Rio de Janeiro. A seu pedido, seu epitáfio é o seguinte: "Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino".
Em 2006, é lançada a 82ª edição de "O encontro marcado".
GLOSSÁRIO:
1. Incumbência: Ação ou resultado de incumbir(-se).
2. Prudência: Qualidade própria de quem age com cuidado para evitar más consequências3.Confabulação: Ação ou resultado de confabular
4.Birosca:O mesmo que gude
5.Terminologia: O conjunto de termos de uma arte, ciência, profissão etc
6.Lídimo: Que é tido como autêntico, genuíno, legítimo
7.Pigarro: Irritação na garganta, provocada pelo catarro ou outra causa, minimizada por meio de
movimentos
8.Insofismável: musculares e pela passagem de ar no local, o que produz um ruído característico
9.Tecar:Em jogos de bolinha de gude ou sinuca, dar um teco (ou tacada), acertar em cheio uma bola na
outra.
10.Cricadas :
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E.M.E.F Juvenal da Costa e Silve
9°ANO B
Itatiaia
Hemini
Liliane
Rocio
Alana